Bandeiras Históricas
 
 

BANDEIRA DA ORDEM DE CRISTO


  

A CRUZ DE CRISTO foi o primeiro signo da história de nossa heráldica. Eram as - rubras insígnias - referidas por Pero Vaz de Caminha e que, pintadas no velame das dez naus e três navetas que compunham a esquadra de Cabral, testemunharam a nossa Descoberta. Uma bandeira branca, tendo inscrita a Cruz de Cristo, fora entregue por el rei D. Manuel ao Capitão-mor da frota, quando de sua saída de Belém, onde estivera arvorada na capela do Restelo. Depois do achamento da nova terra, Pedro Álvares Cabral “fez dizer missa, a qual disse o padre Frei Henrique”. “Ali era com o Capitão a Bandeira de Cristo, com que saiu de Belém, a qual esteve sempre alta da parte do Evangelho”.
A CRUZ DE CRISTO é uma figura composta : uma cruz grega branca sobreposta a uma cruz patée vermelha, que lhe serve de campo.
Esta cruz vulgarizou-se entre nós sob a denominação incorreta de Cruz de Malta, graças à desinformação heráldica dos nossos comentaristas esportivos.
A rigor, esta figura era a insígnia de uma nova Cruzada e símbolo da Ordem Militar de Cristo, poderosa e riquíssima sucessora portuguesa da Ordem dos Templários, que pelos quatro cantos do mundo, esteve sempre hasteada nos mastro dos navios que cometeram as Grandes Descobertas nas expedições ao Cabo Não, Gran Canária, Porto Santos, Açores, Bojador, Cabo Branco, Cabo Verde, Costa dos Negros, Cabo da Boa Esperança, Índia e Brasil.
 

BANDEIRA DO PRINCIPADO DO BRASIL



  
Em 1645, D.João IV elevou o Brasil à categoria de Principado, sendo-lhe dada, por emblema heráldico, uma esfera armilar de ouro. Esta esfera é a que figurava no centro de uma bandeira branca, usada como bandeira de comércio. Sobre a esfera armilar, via-se outra, azul, com uma faixa branca e carregada por uma Cruz de Cristo em goles. Essa esfera é a mesma que compunha a bandeira pessoal do Rei D. Manuel. Figura ainda no brasão dado por Estácio de Sá à cidade do Rio de Janeiro, em 1565, nos escudos de várias cidades portuguesas e nos atuais símbolos nacionais de Portugal.
 

BANDEIRA DO REINO UNIDO


Em 1816, D. João VI eleva o Principado do Brasil à condição de Reino. E por decreto de 13 de maio deste mesmo ano dá por armas ao Brasil a mesma esfera armilar de ouro, agora sobre um campo azul. Ao mesmo tempo deliberou reunir num segundo escudo as armas do Brasil e as de Portugal e Algarves, sobrepondo estas àquela e dando-lhe por timbre a coroa real. Estas novas armas, sobre um campo branco, constituiram a nova bandeira do REINO UNIDO DE PORTUGAL, BRASIL E ALGARVES.
Em 1821 - portanto, cinco anos depois - as cortes constituintes potuguesas decretaram que o campo da bandeira fosse azul e branca, “por serem cores do escudo de Afonso Henriques”. Nela desaparecia a esfera armilar, como se a Bandeira Constitucional não representasse mais o Reino Unido.
Um ano depois de instituida esta bandeira, “as cores do escudo de Afonso Henriques”, apostas no tope dos uniformes militares de D. Pedro I e de sua guarda de honra eram arrancadas na colina do Ipiranga, no memorável Sete de Setembro de 1822.
 

BANDEIRA IMPERIAL DO BRASIL


Recusando-se obedecer as ordens das Cortes Portuguesas, D. Pedro, a 7 de setembro de 1822, num sábado de céu azulado, às margens do riacho Ipiranga (Rio Vermelho - do tupi), em São Paulo, proclamou a emancipação política do Brasil, depois de proferir o brado de Independêcia ou Morte e de ordenar Laços Fora!, arrancando do chapéu o tope português, exclamou : “Doravante teremos todos outro laço de fita, verde e amarelo. Serão as cores nacionais “.
No dia 18, D. Pedro I , firmava os três primeiros atos oficiais do Brasil independente.
No segundo decreto, decidiu criar um novo tope nacional e ordenou: “O laço ou tope nacional brasileiro será composto das cores emblemáticas : verde de primavera e amarelo de ouro ....”
O terceiro decreto criava a Bandeira Nacional:
“...... hei por bem e com o parecer do meu Conselho de Estado, determinar o seguinte: será, dora em diante, o escudo de armas deste Reino do Brasil, em campo verde, uma esfera armilar de ouro, atravessada por uma cruz da Ordem de Cristo, sendo circulada a mesma esfera de 19 estrelas de prata em uma orla azul; e firmada a coroa real diamantina sobre o escudo, cujos lados serão abraçados por dois ramos de plantas de café e tabaco como emblemas de sua riqueza comercial, representados na sua própria cor, e ligados na parte inferior pelo laço da nação. A bandeira nacional será composta de um paralelogramo verde, e nele inscrito um quadrilátero romboidal cor de ouro, ficando no centro deste o Escudo das Armas do Brasil “(Este decreto foi publicado em 21/9/1822).

AS 19 PROVÍNCIAS EM 1822

PARÁ ESPÍRITO SANTO
MARANHÃO RIO DE JANEIRO
PIAUÍ MINAS GERAIS
CEARÁ SÃO PAULO
RIO GRANDE DO NORTE MATO GROSSO
PARAÍBA SANTA CATARINA
PERNAMBUCO RIO GRANDE DO SUL
ALAGOAS GOIÁS
SERGIPE CISPLATINA
BAHIA  

O autor da bela Bandeira do Império do Brasil, com a colaboração de JOSÉ BONIFÁCIO DE ANDRADA E SILVA, foi o notável pintor e desenhista francês JEAN BAPTISTE DEBRET - que teve grande participação na vida cultural do Brasil, no período de 1816 a 1831.
Posteriormente, nos últimos anos do Segundo Império - Pedro II -, sem ato oficial, o número de estrelas aumentou para 20, em virtude da Província Cisplatina ter sido desligada do Brasil (1829), e da criação das Províncias do Amazonas (1850) e do Paraná (1853).

ESFERA ARMILAR
 

A Esfera Armilar é muito mais antiga que o Astrolábio (precursor do sextante ), teve sua invenção atribuida a ANAXIMANDRO DE MILETO (611-547 a.C.), filósofo grego que a idealizara para dar uma idéia dos movimentos aparentes dos astros. A Terra era figurada no centro em forma de um pequeno globo, circundada por 10 anéis de metal de armilas, móveis e ajustaveis, representando : o meridiano, o equador celeste; o horizonte; os dois coluros ( meridianos que passam pelos equinócios e pelos solistícios ); a eclítica, algumas vezes contendo o zodíaco, dividido em 12 partes de 30 graus cada, simbolizando os 12 signos zodiacais; os dois trópicos ( Câncer e Capricórnio); e os dois círculos polares ( Ártico e Antártico). Esta esfera era emprega nas escolas gregas onde se ensinava astronomia e a arte da navegação.